Dança da noite no frio da madrugada...
Os lábios
dançavam em sincronia no quarto quase que totalmente escuro, as quatro mãos
percorriam seus corpos com a velocidade com que o prazer e a excitação lhe tomavam
a mente.
Os
botões das camisas começaram a ser abertos, as mãos lentamente percorriam o tecido, enquanto os beijos eram trocados, entre gemidos e sussurros de um
prazer silencioso, aos poucos ambos estavam despidos já de uma peça de roupa e
a nudez de suas peles se tocavam, intensificando as marcas das unhas que arranhavam
a pele um do outro e deixavam o branco de epiderme com caminhos vermelhos, como
memórias de prazer, e era tudo tão natural enquanto ficavam nus e navegavam um
pelo corpo do outro, tentando descobrir os pontos fracos do prazer alheio, que
parecia não haver tempo em que pudessem ser contidos os prazeres daquela
noite...
As mãos bobas
invadiram as calças e permitiam-se descobrir as primeiras surpresas da noite,
ambos prontos para viverem de seus próprios prazeres... Era a primeira vez em
que possuíam um contato tão íntimo e sem restrições, e o calor dos corpos
faziam com que não tivessem qualquer vontade de sentir frio novamente. O aroma
do prazer que pairava sobre o quarto dançava junto com a música que tocava,
silenciando os gemidos e expressões de prazer que a cena tornava inevitáveis...
As respirações
ofegantes nos ouvidos, a determinação das mordidas, a força com que unha e
carne se uniam para rasgar um ao outro e não haver qualquer dor, se não aquela
que viesse acompanhada de um prazer que lhe fosse superior... Tudo dançava em
sincronia com a adrenalina que fazia seus corpos tocarem os limites do prazer e
elevá-los à excitação máxima que humanidade poderia atingir na mistura fina de
prazer, amor, dor e luxúria...
O calor se
desfez e um vento frio tocou seu corpo... Enquanto puxava o cobertor para poder
se proteger do frio que a manhã trazia, uma lágrima brotou de seus olhos
escuros ao ver que estava mais uma vez, como todas as outras, curtindo a
solidão fria de sua cama de solteiro, no mesmo quarto escuro e sem qualquer
companhia para oferecer-lhe calor. O sonho havia se desfeito rapidamente,
então, voltou a dormir, o relógio ainda marcava 4h: 36min, e em pouco tempo
seria hora de levantar para mais um de seus dias de trabalho...