segunda-feira, 24 de setembro de 2012

01:33

Então, sofra sua dor em silêncio...

E tudo aquilo que não pode partir sozinho, pode ser arrancado. Então, enfia a mão quente em teu coração e arranca do peito, a sangue frio, o sentimento que tinge como tatuagem a beleza rubra de teu órgão pulsante. Se as cores não se vão por liberdade, que saíam à força, arrancadas pelo poder te teus punhos. 

Arranca do mesmo modo como se arranca um inseto parasita que consome tua essência e não deixa tua mente trabalhar, deixando a ébria de sono e desejo. Se os dedos não tiverem força suficiente parar tirar a mancha negra de teu órgão, então o arranque com a própria adaga, crave na carne vermelha a lâmina fria e deixe o sangue escorrer pela branca e lavar as vontades de qualquer desejo. Revire a faca, gire-a, enfinque-a com força dentro de teu próprio corpo e gire-a sem receios, remexa para todos os lados. Que a ferida doa, que seja teu sofrimento quase tangível na tua alma, mas arranca de ti toda a mancha...

Deixe que a ferida profunda seja feita sem anestesias, deixe a dor tomar conta de tua alma e sofra sem gritar uma única vez teu pranto. Deixe-a cicatrizar sem sal e pimenta, deixe-a exposta a qualquer dor mínima e menor, deixe que a toquem, que a façam sangrar e aprenda a agüentar toda o sofrimento sem reclamar com uma lágrima sequer.

Não há a necessidade de curativos e enfermeiros, tu, sozinho, sem ajuda, ainda és capaz de cuidar da tua dor, exposta na carne podre de teus órgãos. Teu coração pode muito bem ficar exposto e ferido, de modo que qualquer um pode fazê-lo parar de bater com o único toque, um toque mínimo de mãos dadas.

Confia nos teus deuses, nos teus mestres, confia no teu único aliado de sempre, o Tempo. Talvez, ele seja lento e complexo em seu processo de cura, e pode ser que a cicatrização doa ainda mais dentro de teu peito que a própria ferida, mas Ele há de te fazer novamente sorrir sem deixar derramar uma gota de sangue silencioso...

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