Te jogar no vento...
Se eu te jogasse para cima, você
partiria com o vento? Migraria com os pássaros para não mais voltar? Ou diria
que o vento não te faz também? Que os pássaros são simples demais para esse teu
sorriso avoado e rouco?
Se te jogasse no mar, você
nadaria para longe da costa? Mergulharia para sempre com os cardumes? Ou
voltaria dizendo que te enxugasse, para não ficar resfriado? Diria que mesmo os
peixes não sabem nadar com a força com que teus olhos prendem?
Mas, como posso cobrar tanto de
você?
Não há como cobrar a volta de quem
nunca sequer veio? Que direitos tenho eu sobre você que nunca me pertenceu?
Como poderia pedir para que se importasse com minhas lágrimas, quando nem ao
menos tive a chance de te dar sorrisos carinhos quando estava deitado em meu
colo?
Como lidar com essa vontade
insana de chamar de “meu” tudo aquilo que não posso ter?
Mas, tenho ciúmes do passado que
faz parte da tua memória, do presente que te toca, do futuro em que te vejo
ainda mais distante de tornar-se meu...
Queria te encontrar voando,
perdido no ar de novo. Poder capturar teu riso nos meus lábios, teus dedos na
minha pele e guardar tua gargalhada mais feliz para mim. Manter teus olhos
fechados, para que percebesse além dos que os sentidos pudesse te dar o desejo
que parte de mim para teu coração.
Saudades de quando me pegava pela
mão e olhava nos meus olhos e eu conseguia ver que o mundo não tinha mais
sentido sem a sua presença. Saudades da tua mão escorregando por meu corpo, sem
qualquer receio da luz que viesse a invadir o quarto. Saudades de quando eu te
acordava sorrindo e tua cara bêbada de sono me pedia para fechar as cortinas
porque a luz incomodava...
Saudades de um desejo que jamais
será concreto, de um tempo que o futuro não trará. Mas, dizem que o tempo tudo
sara, e se tenho saudades dos desejos que tenho com você, ainda hão de ser
todos esses desejos também saudosos, hei então de poder sorrir e ver tua
felicidade sem incomodá-la, afinal, faço questão do teu corpo, da tua
presença, dos teus beijos, mas faço muito mais questão ainda do teu sorriso infindável, seja lá onde
quer que você o encontre...
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