domingo, 30 de setembro de 2012

13:39

Entre gueixas, ditaduras e espartilhos

Todos os dias, ao ligar a TV, passear pelas páginas da Internet, ou mesmo andando pelas ruas, o homem contemporâneo se depara com a ditadura de um novo padrão estético: o magro e bem definido. Eis que os humanos veem-se diante de uma luta na busca pela aceitação nos padrões de beleza midiáticos atuais. Contudo, a criação dessas normas estéticas não é uma realidade da sociedade ocidental contemporânea, tais normatizações são atemporais e universais, relacionando-se sempre aos interesses de uma elite e às necessidades dessa.

Entre as comunidades primitivas, a beleza feminina era associada à fertilidade reprodutiva, ou seja, seios e quadris fartos. Há menos de um século, a sociedade chinesa ainda se orgulhava de suas gueixas, as quais mais que belas concubinas, eram ícones de delicadeza e mártires na busca pela perfeição estética. Não diferentes, as europeias da Era Vitoriana se sujeitaram às atrozes deformações físicas proporcionadas pelos tão conhecidos espartilhos.

O século XXI, marcado pela formação de uma sociedade urgente, deu margem para o surgimento de um novo padrão estético que atendesse à agilidade industrial do sistema capitalista, trazendo de volta o ideal greco-romano de corpos magros e perfeitamente simétricos, substituindo a mágica tortura das cintas vitorianas pelos pesados e sofisticados mecanismos da academia. A indústria da moda, aliada à mídia, tolda as visões modernas de modo a influenciar gastos absurdamente altos com cirurgias plásticas, academias, maquiagens e vestuário, tendendo a sociedade para um padrão único físico e comportamental.

Buscar a aceitação torna-se uma atividade inerente à vontade humana a partir do momento em que a influência das mídias globais é extrema. Tentar desvincular-se dessa modelagem de gostos e vontades é entregar-se a olhares tortos da cúpula capitalista industrial e de seus consumidores alienados. Se voltarmos a Platão, que apregoava ser a beleza a única ideia que transcendia do plano metafísico, o real valor do belo vai muito além do que pode ser oferecido por espartilhos e bisturis, é uma conotação de bem estar espiritual consigo mesmo.    

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