quinta-feira, 27 de setembro de 2012

22:48

De profanar amor...

Os momentos que não são meus, as brincadeiras que não são feitas comigo, as intimidades de criança, das palavras inocentes dedilhadas com amor nas notas da voz, mas que nunca foram feitas para os meus ouvidos.

As canções que embalam as noites de amor no prazer que a lua faz cair de brilho prata sobre os corpos que amam, abraçados sobre a cama, ainda cansados, porém completos da paixão que compartilharam por quantas vezes desejaram.

O amor que eu não ouso tocar ou perturbar, é puro demais para que essas mãos frias e sem calor de sentimento possam tocar. Mãos impuras, mãos que não sentem, de dedos que não dedilham notas de amor, mas palavras rudes de agradecimento ou revolta sobre aqueles que sequer tem culpa da mente amargurada que toma meu espírito.

Os pensamentos da noite, da tarde e de manhã, se confundem, enquanto os profanos pensamentos meus tentam se afastar do prazer que compartilham, as lágrimas correm como rios pela pele... Ora descem retas e se afogam, salgadas, na frieza de lábios que não tocam os beijos de amor, às vezes, correm deitadas e acabam chegando aos ouvidos, não acostumados a qualquer palavra de carinho íntimo que amantes possam trocar...

Obrigado, ferido a dizer que tudo está bem. Palavras mentirosas e verdadeiras muitas vezes se distorcem e mesmo eu não consigo saber quais delas são verdadeiras ou não. Até onde vão as mentiras e as verdades que o coração obriga a contar para manter a paz da mente, do espírito e a harmonia entre todos os povos que a força do sentimento poderia interferir.

Presente, confusões, ciúmes, saudades, memórias, bebidas, álcool, descasos, música, passado, sentimentos, lábios, palavras, mentiras, amigos, vitórias... Não existe qualquer razão na insanidade de não se conseguir ter paz de espírito ou mesmo distinguir de onde brotam lágrimas espontâneas, que forçam o rosto a queimar em vermelho, apenas sabem que correm. E correm em silêncio, enquanto os outros dormem, enquanto a solidão é presente, enquanto se vê uma fotografia, em diferentes instantes do dia...

São complicadas emoções para uma mente jovem demais para tamanha complexidade e instabilidade emocional, mas que tenta abandonar as próprias esperanças de conseguir algo para si, sentindo-se invadido pelo estranho desejo de sempre ir além do que as palavras e o ego podem permitir.


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