De profanar amor...
Os momentos
que não são meus, as brincadeiras que não são feitas comigo, as intimidades de
criança, das palavras inocentes dedilhadas com amor nas notas da voz, mas que
nunca foram feitas para os meus ouvidos.
As canções que
embalam as noites de amor no prazer que a lua faz cair de brilho prata sobre os
corpos que amam, abraçados sobre a cama, ainda cansados, porém completos da paixão que compartilharam por quantas vezes desejaram.
O amor que eu
não ouso tocar ou perturbar, é puro demais para que essas mãos frias e sem
calor de sentimento possam tocar. Mãos impuras, mãos que não sentem, de dedos que
não dedilham notas de amor, mas palavras rudes de agradecimento ou revolta
sobre aqueles que sequer tem culpa da mente amargurada que toma meu espírito.
Os pensamentos
da noite, da tarde e de manhã, se confundem, enquanto os profanos pensamentos
meus tentam se afastar do prazer que compartilham, as lágrimas correm como rios
pela pele... Ora descem retas e se afogam, salgadas, na frieza de lábios que
não tocam os beijos de amor, às vezes, correm deitadas e acabam chegando aos
ouvidos, não acostumados a qualquer palavra de carinho íntimo que amantes
possam trocar...
Obrigado,
ferido a dizer que tudo está bem. Palavras mentirosas e verdadeiras muitas
vezes se distorcem e mesmo eu não consigo saber quais delas são verdadeiras ou
não. Até onde vão as mentiras e as verdades que o coração obriga a contar para
manter a paz da mente, do espírito e a harmonia entre todos os povos que a
força do sentimento poderia interferir.
Presente, confusões,
ciúmes, saudades, memórias, bebidas, álcool, descasos, música, passado,
sentimentos, lábios, palavras, mentiras, amigos, vitórias... Não existe
qualquer razão na insanidade de não se conseguir ter paz de espírito ou mesmo
distinguir de onde brotam lágrimas espontâneas, que forçam o rosto a queimar em
vermelho, apenas sabem que correm. E correm em silêncio, enquanto os outros
dormem, enquanto a solidão é presente, enquanto se vê uma fotografia, em
diferentes instantes do dia...
São
complicadas emoções para uma mente jovem demais para tamanha complexidade e instabilidade
emocional, mas que tenta abandonar as próprias esperanças de conseguir algo
para si, sentindo-se invadido pelo estranho desejo de sempre ir além do que as
palavras e o ego podem permitir.
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