Do lado de cá do muro...
Imaginava a pureza de nossos abraços e a sinceridade de olhares trocados enquanto os corpos se atritavam na dança que braços e lábios coreografavam ao vento escuro da noite que protegia as carícias que nossos beijos ditavam um ao outro, num perfeito encaixe de mim e você que, embora difícil de ser entendido, podia ser sentido de uma maneira estranhamente excitante por todos as parte do meu corpo e fazia arrepiar todos os pelos dele...
Mas, tão de repente quanto os poucos minutos em que pertencíamos um ao outro, a inocência se foi, ficou perdida em algum canto, talvez num toque antigo... De repente, tudo pareceu tornar-se desconhecido, frio, distante e estranho. Sem mais palavras de afeto ou carinhos viajantes na madrugada, sem toques suaves ou sorrisos sincero de uma estranha paixão partilhada por dois e que nutria mordidas e arranhões nunca antes sentido em cada arrepio de pele...
Algo que se pôs como um muro entre nós e pelas pequenas frestas na pedra não é possível senti-lo completo e absoluto, apenas em pedaços, fragmentos do teu sorriso, dos teus olhares e dos teus jeitos. Pelas frestas do muro, não era mais possível sentir o carinho e a intensidade de nós dois, apenas fragmentos de uma lembrança que insistia em manter-se viva na mente, apesar da distância e da inalcançabilidade com que você se transformou num cubo de gelo, para sempre dentro de sua própria forma.
Então, tuas lágrimas caíram, os lábios que eu pude sentir doces, agora sentiam o gosto salgado que vinha da água que teus olhos faziam escorrer por tua pele e tudo que eu desejava era poder enxugá-las, sem medo de tentar devolver o antigo sorriso que desenhava tão bem teu rosto e o tornava ainda mais belo...
Mas, talvez, já tenha encontrado outros lenços, de mãos mais carinhosas e menos complicadas, que tenham te guiado para mais distante ainda do muro, de onde não posso te tocar, apenas ver. De cá, ficou eu, torcendo para teu sorriso se fazer constante de novo, provido de quais risos que fossem. Do lado de cá, meus olhos espiam pelas imperfeições da construção, tentam mirar nos detalhes do teu corpo que se sintoniza com as batidas cada dia mais felizes do teu coração. De cá, de olhos marejados, sorrio, sei que está tudo bem com seus sorrisos e isso me basta para ficar tranquilo, mesmo que nenhum deles se lembre ou reconheça mais os olhos que, das sombras, espia pelo buraco do muro...
simplesmente, amei.
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